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Quem inventou o vinho?

Ninguém sabe quem fez o primeiro vinho, mas os vestígios mais antigos achados até agora vêm da Geórgia, de por volta de 6000 a.C. Jarros de barro escavados ao sul de Tbilisi ainda tinham a marca química do vinho de uva.

VinhoUma taça, 150 ml125kcal
Vinho num copo

Jarros nas colinas da Geórgia

Uns 50 quilômetros ao sul de Tbilisi, na província de Kvemo Kartli, ficam duas aldeias neolíticas chamadas Gadachrili Gora e Shulaveris Gora. Os arqueólogos encontraram ali pedaços de grandes jarros de barro, alguns grandes o bastante para mais de 300 litros. Alguns parecem ter cachos de uva modelados em volta da boca. As bases pequenas sugerem que eles ficavam meio enterrados, como os qvevri em que os georgianos ainda fazem vinho hoje. Os jarros são de algum momento entre 6000 e 5000 a.C.

Como provar que um jarro teve vinho

Cerâmica antiga pode parecer qualquer coisa, então uma equipe liderada por Patrick McGovern, do museu da Universidade da Pensilvânia, testou o que estava impregnado no barro. Eles procuraram ácido tartárico, que naquela parte do mundo só aparece em grande quantidade na uva, e acharam junto com ácido málico, succínico e cítrico. Essa impressão digital quer dizer vinho. O estudo saiu em 2017 na revista PNAS. Ele empurrou o recorde para trás de Hajji Firuz Tepe, no Irã, onde resíduos de vinho são de cerca de 5400 a 5000 a.C.

Ninguém inventou

Não existe um primeiro vinicultor com nome. Uva amassada deixada num jarro quente começa a fermentar sozinha, então o vinho provavelmente foi descoberto muito antes de alguém escrever qualquer coisa. O que os jarros georgianos mostram é que as pessoas já faziam isso de propósito. Os pesquisadores acham que a videira já tinha sido domesticada e era plantada e replantada nessa época. Hoje a Geórgia cultiva mais de 500 variedades de uva para vinho, o que combina com uma história muito longa de videiras.

Do Oriente Médio para a Europa

A Britannica põe o cultivo da videira no Oriente Médio em 4000 a.C., e provavelmente antes, e registros egípcios de cerca de 2500 a.C. mostram uvas sendo usadas para vinho. Depois os gregos plantaram vinhedos em volta do Mediterrâneo, do Mar Negro à Espanha. Os romanos levaram a videira pelos grandes vales de rio da Europa, o Reno, o Mosela, o Danúbio, o Ródano e o Loire. Muitas das regiões que eles plantaram, como Borgonha, Bordeaux e Champagne, ainda são famosas pelo vinho.

Atravessando os oceanos

Depois de Colombo, missionários espanhóis levaram videiras para o Chile e a Argentina nos anos 1600 e para a Baixa Califórnia nos anos 1700. Mais tarde colonos europeus começaram a produzir vinho na Califórnia, na Austrália, na Nova Zelândia e na África do Sul. No século 19 Louis Pasteur entendeu como a fermentação funciona de verdade, o que deixou o vinho muito mais confiável. Hoje uma taça típica tem uns 150 ml, e a bebida dentro dela ainda vem da mesma uva e da mesma ideia daqueles jarros georgianos.

Fontes

Sci.News, Ancient Georgian Pottery Reveals World's Oldest WineEncyclopaedia Britannica, wine

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