Quem inventou o champanhe?
Ninguém sozinho. Um médico inglês, Christopher Merret, descreveu em 1662 como pôr açúcar no vinho para deixá-lo espumante, e a região de Champagne, na França, fez das bolhas o seu ofício entre 1670 e 1720, mais ou menos.
ChampanheUma taça, uns 125 ml95kcal
Uma região antes de uma bebida
O champanhe leva o nome de uma região do nordeste da França, e essa região fazia vinho muito antes de fazer bolhas. Já havia videiras lá no século 1 d.C., sob os romanos. Em 496 o rei franco Clóvis foi batizado em Reims, e a cidade virou o lugar onde os reis da França eram coroados. O vinho local passou a ser chamado de vinho dos reis. Por séculos, porém, continuou sendo vinho, sem gás feito de propósito.
O monge que não inventou
A história famosa diz que um monge beneditino, Dom Pierre Pérignon, inventou o champanhe na abadia de Hautvillers e gritou que estava bebendo estrelas. Os historiadores dizem que não. Pérignon virou responsável pela adega ali em 1668 e era um vinicultor talentoso. Era conhecido por misturar uvas de terrenos diferentes e por prensar uvas tintas com delicadeza para fazer vinho branco. A lenda foi espalhada nos anos 1820 por Dom Grossard, que trabalhou na mesma abadia. Pérignon morreu em 1715.
Um médico inglês põe no papel
Em 17 de dezembro de 1662, seis anos antes de Pérignon assumir a adega, um médico chamado Christopher Merret leu um texto na Royal Society, em Londres. Ele descrevia como os tanoeiros ingleses punham açúcar e melaço nos vinhos para deixá-los vivos e espumantes. Isso é uma segunda fermentação num recipiente fechado, o truque básico do champanhe. Merret foi um dos fundadores da Royal Society e bibliotecário do Royal College of Physicians. Ninguém se lembra dele num rótulo.
Rolhas, vidro e uma viúva
Na própria Champagne, o vinho espumante virou uma escolha deliberada entre 1670 e 1720, mais ou menos. As rolhas de cortiça chegaram à região em 1685, e as palavras vinhos de Champagne aparecem por escrito por volta de 1690. Depois que Luís XIV morreu, em 1715, o duque de Orléans o servia nas suas festas luxuosas e a corte francesa se apaixonou. A Ruinart abriu em 1729. Mais tarde Barbe Nicole Clicquot, a viúva por trás da Veuve Clicquot, criou a remuage, virando as garrafas de cabeça para baixo para o fermento escorregar até o gargalo e poder ser tirado.
O champanhe hoje
Nos anos 1860 Louise Pommery puxou um estilo mais seco, o brut, para o mercado britânico, e esse é o champanhe que a maioria bebe hoje. Só o vinho da região pode usar o nome, uma proteção reconhecida por completo em 1936, depois de decisões judiciais de 1887 e 1905. Em 2015 as encostas, as casas e as adegas de Champagne viraram Patrimônio Mundial da UNESCO. Uma porção típica é uma taça flûte, de uns 125 ml, e uma garrafa padrão serve umas seis.