Como os pilotos de F1 treinam e o que comem?
Pescoço quase todo dia, muito aeróbico, treino no calor e uma alimentação acompanhada de perto, tudo para aguentar até 6 G e quase duas horas com o coração acima de 150.

Por que um piloto precisa de um pescoço forte
Nas curvas rápidas os pilotos seguram de 4 a 5 G por trechos longos, com picos perto de 6, e segundo a Fórmula 1 Lewis Hamilton chegou a 5,6 G em Mugello em 2020. Numa freada forte eles pisam no pedal com até uns 160 kg enquanto o corpo sente cerca de seis vezes o próprio peso. Uma revisão de 2026 no British Journal of Sports Medicine concluiu que os pilotos não se destacam em resistência, altura ou peso, e que o que chama atenção é a força do pescoço.
O treino de pescoço
Lando Norris treina o pescoço pelo menos cinco vezes por semana, contou o preparador dele, John Malvern, à Fórmula 1. Os pilotos usam elásticos em volta da cabeça, capacetes com peso e máquinas especiais, e conseguem levantar até 40 kg só com o pescoço. Antti Kontsas, ex preparador de Sebastian Vettel, resume assim: você precisa ver para onde está indo, e uma cabeça que mexe custa tempo.
Coração e pulmões
Uma corrida deixa o coração lá em cima: acima de 170 batimentos por longos trechos, segundo a Fórmula 1, e um estudo com um piloto no Grande Prêmio da Austrália de 2013 mediu de 148 a 163 a corrida toda. O médico Riccardo Ceccarelli, da Formula Medicine, contou à Pirelli que por isso longos treinos de bicicleta entraram junto com a academia. Antes da temporada os pilotos fazem uma corrida de três minutos no máximo, e passar de 900 metros é considerado excelente.
Treinar para o calor
Segundo a Fórmula 1, um cockpit pode passar de 60 °C, então o calor faz parte do trabalho. Norris pedala numa sala aquecida enquanto monitoram o corpo dele, e o preparador de Leclerc diz que usam sauna nas semanas antes de Singapura. A revisão do British Journal of Sports Medicine observa que muito disso se apoia na experiência e não em dados, porque existem pouquíssimas medições feitas em pilotos.
O que eles comem
Não existe uma dieta da F1. A Mercedes contou à ESPN que os pilotos têm um plano de nutrição próprio, separado da cozinha da equipe, e Aleix Casanovas, preparador de George Russell, explicou ao The Paddock Journal que a alimentação dele segue exames de sangue ao longo do ano. Desde 2019 um piloto com o equipamento conta pelo menos 80 kg, com lastro no resto, então há menos pressão para ser o mais leve possível, e uma corrida de 90 minutos de cerca de 935 kcal pede comida.